
O Projeto Xingu é um programa de extensão do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal de São Paulo (Escola Paulista de Medicina). Teve início em 1965 quando, a convite de Orlando Villas Bôas, Diretor do Parque Indígena do Xingu (PIX), um grupo de médicos da Escola Paulista de Medicina, atual Universidade Federal de São Paulo, liderados pelo Professor Roberto Baruzzi, foi avaliar as condições de saúde dos povos indígenas lá presentes. Esta visita marcou o início de um programa de saúde que se estende até os dias atuais e da colaboração de uma escola médica na assistência à saúde indígena.
A primeira equipe médica da EPM esteve no PIX em julho e setembro de 1965, centralizando no Posto Leonardo Villas Bôas o atendimento aos índios do Alto Xingu. A partir da avaliação das condições de saúde da população e do quadro epidemiológico reinante, ficou evidente a necessidade de ser desenvolvido um programa de saúde que incluísse medidas curativas e preventivas e tivesse assegurada sua continuidade, proposta esta que recebeu plena acolhida do diretor do PIX. Neste sentido, foi firmado um acordo entre o Departamento de Medicina Preventiva da EPM, na pessoa de seu diretor, o Professor Walter Leser, e o Parque Indígena do Xingu, na pessoa de Orlando Villas Bôas, pelo qual o Departamento se comprometia a colaborar na assistência à saúde dos índios e o Parque a dar o apoio necessário para as ações de campo.
Era mais uma declaração de boas intenções do que um convênio formal, sem cláusulas impositivas, deixando em aberto a participação de outras instituições. Assim, estabeleceu-se franca colaboração com o Serviço de Unidades Sanitárias Aéreas – SUSA, criado por Noel Nutels, no controle da tuberculose no Parque.
Em virtude do acordo firmado, o Parque passava a contar com a participação de uma escola médica no atendimento de sua população, enquanto que para a EPM abria-se um novo desafio - um campo avançado, entendido não meramente no sentido geográfico, mas em termos da qualidade de sua atuação e do relacionamento com uma população de marcante diversidade cultural.
Ao longo dos 40 anos de continuidade, o Projeto Xingu passou por diversas etapas, sempre ampliando suas atividades, buscando, de um lado, responder às novas e crescentes demandas sanitárias conseqüentes à experiência de contato dos povos indígenas com a sociedade nacional e, de outro, colaborar na luta para incluir, de forma diferenciada, a saúde indígena no Sistema Único de Saúde (SUS).Foto